BREVE HISTÓRICO

         O Brasil constitui na atualidade o mais importante país contemporâneo com registros das referências do continente africano “fora” da África. O desenvolvimento das grandes áreas de atividades econômicas-coloniais estruturadas na força de trabalho e na tecnologia de referência africana, ao longo dos séculos XVI-XIX, revelam a dimensão econômica e a extensão territorial da “presença ampla” africana na formação do Brasil. Apesar dessas referências geográficas verificamos ao longo do século XX  um conjunto de distorções e invisibilidades do continente africano e das matrizes afrobrasileiras na nossa sociedade, sobretudo no processo educacional do país. Entendemos que é necessário auxiliar na retirada da África e do “Brasil Africano” do lugar insignificante e secundário que esta dedicado no ensino e no pensamento social dominante da nossa população, ou seja, preconizamos que é possível contribuir para outra “leitura” e “compreensão“ da constituição do território e do povo do Brasil neste início do século XXI valorizando devidamente as referências africanas resistentes e sobreviventes. O Projeto Geografia Afrobrasileira: Educação & Planejamento do Território (Projeto GEOAFRO), desenvolvido no CIGA-GEA-IH-UnB, tem como referência básica interpretar espacialmente as estruturas existentes na formação do Brasil e da sua população, tomando como premissa os aspectos geográficos da herança africana no território brasileiro. O Projeto GEOAFRO tem um plano de atividades e fases preconizadas e as Exposições Itinerantes constituem um dos seus principais componentes. Utilizamos, como instrumento básico de trabalho, os recursos das imagens cartográficas e fotográficas, pela sua possibilidade de ser eficiente na transmissão de conteúdos historiográficos e contemporâneos. Por outro lado, as demandas para compreensão das complexidades da dinâmica da sociedade são grandes e existem poucas disciplinas mais bem colocadas que a geografia e a cartografia para explicar as inúmeras indagações do que aconteceu, do que está acontecendo e do que pode acontecer no espaço geográfico.

           A premissa é ampliar as informações, a discussão e fornecer elementos para o conhecimento do espaço brasileiro na perspectiva das matrizes oriundas da África. O Projeto tem cinco fases preconizadas e se encontram em realização, quatro das suas etapas de trabalho. Na primeira etapa realizamos um resgate dos elementos fundamentais da Geografia da África e sua relação com a Geografia brasileira. A segunda fase do projeto trata da cartografia dos quilombos. Nesta etapa conseguimos responder, de forma geográfica, como estão distribuídos os registros municipais das comunidades quilombolas tradicionais nas unidades políticas do Brasil e onde se concentram. Outra etapa relevante constitui as interpretações e reconstruções das estruturas geográficas construídas e/ou elaboradas no país com a participação de populações de ascendência africana. Um dos principais eixos temáticos se refere aos grandes ciclos econômicos que se processaram no nosso território e a distribuição da população de matriz africana.

        A quarta fase tem como fio condutor a educação e a operacionalização se processa em duas vertentes: a Oficina Temática: A África, o Brasil e os Quilombos: Heranças Geográficas, que preconiza colaborar na construção de outra territorialidade da população brasileira onde as de referências africanas estejam presentes. No ano de 2005, com o apoio da SECAD – MEC e em parceria com as Secretarias de Educação estaduais, realizamos a referida oficina em sete capitais brasileiras (Maceió, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília). Em 2006, várias atividades com educadores foram realizadas em municípios dos Estados de Minas Gerais, Curitiba e Bahia. Em 2010, outra parceria foi firmada com a SECAD – MEC e os Fóruns Étnico-Raciais dos Estados Brasileiros, para a realização de 5 (cinco) oficinas educacionais. Foram realizados trabalhos com educadores nas seguintes capitais: Maceió, São Luís, Belém, Macapá e Salvador.

           Um outro, segmento importante desse Projeto são as publicações: Territórios das Comunidades Remanescentes de Antigos Quilombos no Brasil, com toda a documentação cartográfica da pesquisa (2000 e 2005) e os volumes da Coleção África-Brasil: Cartografia para o Ensino-Aprendizagem, que constituem conjuntos de mapas temáticos, em diferenciados formatos, para auxiliar o professor a transmitir informações sobre a Geografia da África e a Geografia Africana do Brasil. Em 2009 foi publicado o livro Quilombos: Geografia Africana – Cartografia Étnica – Territórios Tradicionais, obra comemorativa dos vinte (20) anos do Projeto Geografia Afro-Brasileira: Educação & Planejamento do Territorio. O vídeo-documentário O Brasil Africano I: Diáspora – Quilombos – Território – População, produto dos resultados das pesquisas do referido Projeto, foi lançado em maio de 2010. Em 2011 será lançado o livro bilíngüe Territorialidade Quilombola: Fotos & Mapas, escrito em português e inglês.

        As Exposições Cartográficas e Geográficas Itinerantes, constituem-se em extensões concretas para possibilitar a ampliação da visibilidade espacial e capacitação de professores e cidadãos, a partir do conjuto dos produtos das etapas já desenvolvidas e em desenvolvmento no referido estudo. Desde 1995 que o Projeto vem realizando ou participando de eventos nos mais variados segmentos. No ano de 2007, realizamos com o apoio da Petrobras, na Casa do Brasil, junto à Embaixada do Brasil na Bélgica a Exposição Cartográfica: L´Afrique, le Brésil et les Territoires des Quilombos.  Em 2009 realizamos no Museu da História Natural em Luanda, a exposição geográfica: O Brasil Africano: Diáspora – Quilombos – Território – População. Mapas & Fotos, a convite da Embaixada do Brasil em Luanda (outubro). Iniciando a temporada no Brasil, essa mesma mostra geográfica foi realizada no Museu do Conjunto Cultural da Republica, em Brasilia (maio-junho) com o registro de seis mil (6.000) visitantes em um mês de exposição.