WEBINAR GEOAFRO I

O BRASIL AFRICANO & A GEOPOLÍTICA DO RACISMO ESTRUTURAL DO ESTADO

 

* Seminário online acontece no dia 24 de junho de 2020, às 10h, e será exibido pela Plataforma Google Meet. O código de acesso ao Webinar será enviado por e-mail.

* Rafael Sanzio dos Anjos, gestor do Projeto GEOAFRO, desenvolvido na UnB, será o mediador do evento

* Kabenguelê Munanga e Erivaldo Souza são os palestrantes confirmados

 

Quem é visível e não visível para o Estado ineficiente? Quem existe e não existe de fato no espaço segregado? A Geografia Oficial do país, ao não tratar devidamente a Geografia Afrobrasileira, configura uma forma explícita de discriminação no racismo estrutural de cinco séculos – sem dúvida, um dos principais desafios geográficos do século XXI. Para discutir estes e outros assuntos dessa relevância e magnitude, o Professor Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, gestor do Projeto GEOAFRO desenvolvido na UnB, receberá, para o Webinar GEOAFRO – O Brasil africano e a geopolítica do racismo estrutural do estado, Kabenguele Munanga e Erivaldo Oliveira da Silva. A webinar GEOAFRO ocorrerá pelo aplicativo de vídeo Google Meet, no dia 24 de junho, às 10h. O evento é uma realização do Projeto GEOAFRO com o apoio do Centro de Cartografia Aplicada – GEA - UnB, do Instituto Geodireito, da UnBTV e do Instituto Baobás.

Aos participantes, as vagas serão gratuitas e limitadas a 250 (duzentos e cinquenta). É preciso se inscrever, até o dia 22 de junho, pelo link: www.bit.ly/3e68TmB  e baixar o aplicativo no celular ou tablet. O código de acesso ao webinar será enviado por e-mail. Para entrar na reunião pelo computador, não é necessário baixar o aplicativo, bastando acessar o código.

 

Sobre o webinar GEOAFRO – O território visto como uma instância concreta das acumulações desiguais dos distintos tempos é o principal revelador dos espaços visíveis oficialmente – os aceitos e formalizados pelo sistema dominante – e, os invisíveis, que correspondem aos territórios usados que não devem ser mostrados na cartografia e na paisagem geográfica oficial, associados a expressões territorializadas pejorativas, como favelas, o povo da periferia, os pobres, os mocambos, os quilombos, dentre outras.

No bojo destes dois “Brasis” (formal/informal ou incluído/excluído) estão as populações e os territórios de matriz africana, secularmente à margem dos projetos do país, com tratamento residual e políticas de invisibilidade, nos quais a inexistência é uma das estratégias mais fundamentadas.

Estas são instâncias concretas no conjunto amplo das contradições, que têm como pano de fundo as referências dos cinco séculos de sistema escravista criminoso – os quatro séculos do Brasil Colonial e os 100 anos do século XX do Brasil República de mentalidade escravocrata –, ainda não resolvidas no país. A Geografia Afrobrasileira possibilita ver o que muitos não querem enxergar, mesmo usando artifícios como a negação da realidade.

Neste sentido, as perguntas geográficas conflitantes não querem calar: Verdadeiramente, quem é visto e não é visto no território brasileiro? Quem é visível e não visível para o Estado ineficiente? Quem existe e não existe de fato no espaço segregado? A Geografia Oficial do país ao não tratar devidamente a Geografia Afrobrasileira, se configura uma forma explicita de discriminação no racismo estrutural de cinco séculos. Este sem dúvida, é um dos principais desafios geográficos do século XXI para o país mais africano do mundo fora da África.

Sobre o mediador – Professor Titular da Universidade de Brasília (UnB) e Diretor do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA), Prof. Dr. Rafael Sanzio Araújo dos Anjos é Coordenador dos Projetos Geografia Afrobrasileira: Educação & Planejamento do Território (Projeto GEOAFRO) e Instrumentação Geográfica, Educação Espacial e Dinâmica Territorial. Graduado em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (1982), Sanzio tem especialização na Universidade Estadual Paulista (Rio Claro, 1985), Mestrado em Planejamento Urbano pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (1990), Doutorado em Informações Espaciais no Departamento de Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (USP) (1995) e Pós-Doutoramento em Cartografia Étnica no Museu Real da África Central em Tervuren (Bélgica, 2007-2008). Entre 2010 e 2011 foi Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia (Mestrado e Doutorado) e do Centro de Documentação Geográfica Milton Santos (CDGMS) da UnB, entre 2013 e 2014, foi representante titular do Instituto de Ciências Humanas junto ao Conselho da UnB e em 2017-2018 coordenou o projeto do mapeamento dos terreiros do DF. Tem diversos livros e artigos publicados sobre a geografia e a cartografia da diáspora africana e a afrobrasileira.

Sobre os Palestrantes

Prof. Dr. Kabenguele Munanga – Brasileiro naturalizado, Kabengele Munanga nasceu na República Democrática do Congo, onde se graduou em Antropologia Social e Cultural pela Universidade Oficial do Congo (1964-1969). Atualmente, é professor visitante sênior da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Foi professor efetivo na Universidade de São Paulo (USP) de 1980 a 2012, de onde se aposentou como Professor Titular, atuando principalmente nas áreas de Antropologia da África e da População Afrobrasileira, com enfoque nos temas racismo, políticas e discursos antirracistas, negritude, identidade negra versus identidade nacional, multiculturalismo e educação das relações étnico-raciais. Iniciou sua carreira acadêmica como professor assistente na Universidade Oficial do Congo. Em 1969 iniciou seus estudos de Pós-Graduação na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, quando foi pesquisador no Museu Real da África Central em Tervuren (Bruxelas). Lá, especializou-se em estudo das artes africanas tradicionais. Entre 1975 a 1977 concluiu seu doutorado em Ciências Humanas na USP (Antropologia Social). Autor de vários livros e artigos nas suas áreas de atuação.

Prof. Erivaldo Oliveira da Silva – Foi Presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP) no período de 2016-2019, concluindo dentre outros projetos o Mapeamento dos Terreiros Religiosos de Matriz Africana do Distrito Federal do Brasil (Projeto GEOAFRO-CIGA-UnB \ Finatec \ MINc) e a Patrimonialização da Serra da Barriga (Memorial Zumbi dos Palmares) junto ao Mercosul. Natural de Santo Amaro da Purificação (BA), é economista e administrador, é mestre em economia do Setor Público. Tem MBA Executivo em Finanças e é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. Foi Presidente da Fundação Ulysses Guimarães \ Bahia, além de Diretor da Fundação ADM (Salvador\Bahia), da Agência Única, e da Gestão Modelo. Na imprensa, atuou como articulista em diversos jornais da Bahia.